domingo, 20 de dezembro de 2009

O ladrar dos cães

Anésio CARBONÁRIO

Os cães noite adentro ladram
E esta caravana que não passa
Restam insensibilidade e sordidez
Só o instinto de morte é o que grassa

O sujeito rebelde ergue-se contra o chicote
Da vida não quer ser mero serviçal
Mas o açoite lhe marca as costas
E mancha sua alma afundada no lamaçal

O soldado insensato dá a ordem em vazio
Sabe atingir a todos democraticamente
Faz soar o ganido sórdido do Grande Pai
Liga a máquina do passado constantemente

Muitos foram já confinados em campos vários
O soldado rústico a cumprir frio o seu dever
Faz almas em chamas tornarem-se cinzas
Mata a semente do sujeito ainda antes do nascer

Cantemos uma ode ao soldado anônimo
Ao indigente fardado que ao chefe cegamente obedece
Há muito tempo esqueceu-se de si mesmo
Como ao animal esquecer-se de si acontece

Muitos vivas ao funcionário eficaz
Conta ao fim do dia os cadáveres, vítimas de sua ação
Mostra-se eficiente a cumprir bem as ordens
Daquele que por suas mãos age, o próprio Cão.

Perguntam onde encontrar tão aplicado militar
Não é difícil encontrar verme tão trabalhador
Está sob a capa de figuras públicas e respeitadas
Padre, juiz, político, fiscal, patrão e inspetor.

Pela ocasião da aplicação do SARESP de 2009