domingo, 20 de dezembro de 2009

O ladrar dos cães

Anésio CARBONÁRIO

Os cães noite adentro ladram
E esta caravana que não passa
Restam insensibilidade e sordidez
Só o instinto de morte é o que grassa

O sujeito rebelde ergue-se contra o chicote
Da vida não quer ser mero serviçal
Mas o açoite lhe marca as costas
E mancha sua alma afundada no lamaçal

O soldado insensato dá a ordem em vazio
Sabe atingir a todos democraticamente
Faz soar o ganido sórdido do Grande Pai
Liga a máquina do passado constantemente

Muitos foram já confinados em campos vários
O soldado rústico a cumprir frio o seu dever
Faz almas em chamas tornarem-se cinzas
Mata a semente do sujeito ainda antes do nascer

Cantemos uma ode ao soldado anônimo
Ao indigente fardado que ao chefe cegamente obedece
Há muito tempo esqueceu-se de si mesmo
Como ao animal esquecer-se de si acontece

Muitos vivas ao funcionário eficaz
Conta ao fim do dia os cadáveres, vítimas de sua ação
Mostra-se eficiente a cumprir bem as ordens
Daquele que por suas mãos age, o próprio Cão.

Perguntam onde encontrar tão aplicado militar
Não é difícil encontrar verme tão trabalhador
Está sob a capa de figuras públicas e respeitadas
Padre, juiz, político, fiscal, patrão e inspetor.

Pela ocasião da aplicação do SARESP de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

Antenados

Meu mp10 tem ultra Power Home Connection
Meu celular tem tela LCD four inchs of High Definition
O painel do meu carro traz de fábrica o comando
Ultra Plus Motherfucker Crazy Driver
Isto porque você não viu a câmera digital da Fê!
Tem Mega Flash Light Fucking!
Não é igual o da Lê que tem Supershit Driver Owner?
Ei?! Por que você tá aí no canto com esta cara feia?
Eu? Tudo o que eu queria ter, nem que fosse só agora,
é muita cera no ouvido...

Anésio Carbonário – Inverno/09

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Os passos do Senhor, nosso eterno companheiro

Um homem que levara uma vida muito difícil por fim acabou por cumprir sua sina na Terra. Ao longo dos seus 66 anos praticamente foi um perfeito crente na palavra do Senhor. Apenas uns poucos dias no final da sua vida, já não suportando toda a dor da doença que fatalmente o levaria, perdeu sua fé e negou a salvação no Cristo.
Tendo morrido, coisa que nem bem percebeu, deu por si mesmo em um certo momento num jardim com um ar docemente perfumado e uma atmosfera muito calma. Neste bucólico ambiente onde ouvia-se o ruído de um riacho que passava por ali e o canto dos pássaros o homem caminhou por uma estrada. Ele simplesmente seguia o caminho como se já conhecesse há muito o lugar. Num outro momento de toamada de consciência passou a questionar-se como ele havia chegado ali. Quase que imediatamente a figura doce do Senhor Jesus surgiu ao seu lado. Surpreso, o homem disse:
__ És mesmo quem eu estou imaginando?
__ E quem mais seria?
__ Mas meu Senhor, eu já não acredito mais em você e nem quero acreditar neste sonho que só me engana.
__ Acalme-se. Estás ouvindo as ondas do Oceano? Indo logo depois desta trilha aqui chegaremos numa praia. Ela simboliza o percurso terreno de toda a tua vida.
__ Minha vida? Bem, não estou entendendo meu Senhor?
__ Finalmente você realizou tua jornada. Agora estaremos juntos para sempre.
__ Impossível. Eu não sou digno! Honestamente não mereço estar aqui! Eu, desesperado e incapaz de suportar a dor neguei o Senhor. Não resisti, fraquejei diante do desespero e da dor. Eu acreditava que depois de uma vida tão dura e cheia de dores e privações aquele sofrimento ainda mais agudo a mim enviado no fim da vida era uma prova de que o Senhor realmente não poderia existir, pois não estaria sendo misericordioso. Eu sempre acreditei na salvação em Teu Nome. Sempre mantive um terno sentimento para com o Senhor. Posso até mesmo afirmar que sentia Vossa presença sempre a meu lado. Mas não!... Não... eu sinceramente não mereço tamanha misericórdia...
__ Acalma-te, meu filho. Olhe bem esta trilha de areia na praia. Ela representa tua vida. Veja que estamos partindo desde quando tua jornada terrena começou e chegaremos até o fim das pegadas quando você retornou ao teu lar.
__ Sim, Senhor, veja que são duas marcas de pegada. Como explicar isto?
__ Ora, e por acaso não caminhamos lado a lado?
Com o avançar do caminho as pegadas tornavam-se mais fundas e maiores refletindo o avançar da idade infantil até a adulta. Depois pegadas um tanto confusas e estranhas, uma terceira marca, a bengala. Companhia do homem pelos seus últimos quinze anos terrenos. Mas sempre o par de pegadas do Senhor ao seu lado.
De repente, uma surpresa, uma longa trilha com apenas um par de pegadas.
__ Senhor! Foi aqui que o neguei! Aqui o Senhor me abandonou...
__ Não, meu filho. Aí foi quando eu saí pra dar um cagão. Mas veja que logo adiante voltamos a andar juntos...
__ Ah, então tá bom.

República Fuderativa do Brasil

Sacaneando a putaria?
Putaneando a sacaria?
Tivesse eu cota de passagem,
Você sacana usaria?

Vamos ser deputados?
Viver em Brasífilis desbundados?
Passar só de passagem
Pisar na cabeça dos esfomeados?

Viva a República!
Viva a República!
Está nua a mocinha
Vemos sua selva púbica.

Cagar na cabeça do Lula,
Andar no dorso duma mula
Jantar o Gilmar Mendes
Depois? Tudo se anula!

É carnaval! É carnaval!
Pelo menos era pra ser...
Anésio CARBONÁRIO – Maio 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Hai Cais

Não há políticos corruptos no Brasil
Pelo menos nas suas cadeias não
Ninguém até hoje viu

Anésio CARBONÁRIO – 25/3/9

Os políticos não são ladrões
Apenas confiscam aquilo que lhes concederam
As urnas cheias de votos das ignaras multidões

Anésio CARBONÁRIO – 25/3/9

Para votar pense, estude bem
Vote no melhor de todos os políticos
Apóie e ajude a eleger o Zé Ninguém

Anésio CARBONÁRIO – 25/3/9


A solução pelas urnas

Vamos todos com esta corja de safados
De uma vez por todas eliminar!
Que sejamos nós no lugar deles coroados!

Anésio CARBONÁRIO – 25/3/9

Mirou e atirou no que viu
Errou feio o seu alvo
Tombou no revide de fuzil

Anésio CARBONÁRIO – 25/3/9

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Obrigado, Deus

No teu braço uma enorme tatuagem
E nela se lê “Obrigado Deus”
Obrigado pelo quê?
Pois, afinal, se houvesse tal tola personalidade,
dita divina,
Como poderia este Deus tolerar, permitir
ou promover tamanha estupidez?
Tão alto grau de estultice?

José Servilino