Um homem que levara uma vida muito difícil por fim acabou por cumprir sua sina na Terra. Ao longo dos seus 66 anos praticamente foi um perfeito crente na palavra do Senhor. Apenas uns poucos dias no final da sua vida, já não suportando toda a dor da doença que fatalmente o levaria, perdeu sua fé e negou a salvação no Cristo.
Tendo morrido, coisa que nem bem percebeu, deu por si mesmo em um certo momento num jardim com um ar docemente perfumado e uma atmosfera muito calma. Neste bucólico ambiente onde ouvia-se o ruído de um riacho que passava por ali e o canto dos pássaros o homem caminhou por uma estrada. Ele simplesmente seguia o caminho como se já conhecesse há muito o lugar. Num outro momento de toamada de consciência passou a questionar-se como ele havia chegado ali. Quase que imediatamente a figura doce do Senhor Jesus surgiu ao seu lado. Surpreso, o homem disse:
__ És mesmo quem eu estou imaginando?
__ E quem mais seria?
__ Mas meu Senhor, eu já não acredito mais em você e nem quero acreditar neste sonho que só me engana.
__ Acalme-se. Estás ouvindo as ondas do Oceano? Indo logo depois desta trilha aqui chegaremos numa praia. Ela simboliza o percurso terreno de toda a tua vida.
__ Minha vida? Bem, não estou entendendo meu Senhor?
__ Finalmente você realizou tua jornada. Agora estaremos juntos para sempre.
__ Impossível. Eu não sou digno! Honestamente não mereço estar aqui! Eu, desesperado e incapaz de suportar a dor neguei o Senhor. Não resisti, fraquejei diante do desespero e da dor. Eu acreditava que depois de uma vida tão dura e cheia de dores e privações aquele sofrimento ainda mais agudo a mim enviado no fim da vida era uma prova de que o Senhor realmente não poderia existir, pois não estaria sendo misericordioso. Eu sempre acreditei na salvação em Teu Nome. Sempre mantive um terno sentimento para com o Senhor. Posso até mesmo afirmar que sentia Vossa presença sempre a meu lado. Mas não!... Não... eu sinceramente não mereço tamanha misericórdia...
__ Acalma-te, meu filho. Olhe bem esta trilha de areia na praia. Ela representa tua vida. Veja que estamos partindo desde quando tua jornada terrena começou e chegaremos até o fim das pegadas quando você retornou ao teu lar.
__ Sim, Senhor, veja que são duas marcas de pegada. Como explicar isto?
__ Ora, e por acaso não caminhamos lado a lado?
Com o avançar do caminho as pegadas tornavam-se mais fundas e maiores refletindo o avançar da idade infantil até a adulta. Depois pegadas um tanto confusas e estranhas, uma terceira marca, a bengala. Companhia do homem pelos seus últimos quinze anos terrenos. Mas sempre o par de pegadas do Senhor ao seu lado.
De repente, uma surpresa, uma longa trilha com apenas um par de pegadas.
__ Senhor! Foi aqui que o neguei! Aqui o Senhor me abandonou...
__ Não, meu filho. Aí foi quando eu saí pra dar um cagão. Mas veja que logo adiante voltamos a andar juntos...
__ Ah, então tá bom.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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