Tião Gavião (Favela, é nóis!)
Desde antigamente o povo diz que
seis, seis, seis! é o número da besta.
Mas dependerá de quem joga
Pareceu basquete, bola na cesta
Hoje tem muito porco doído
de cabeça inchada nesta sexta.
Pelo nome da porcada no chiqueiro
o trouxa se alegra, quer um trago
“Veja, só tem cabra bom de bola!
São Marcos, o Gladiador e El mago!”
Mas na noite da quinta fatídica
foi bem o Coxa quem fez o estrago.
Vira três, acaba seis, é o trato.
Assim o porco paulista tomou vareio.
Foi pra Curitiba todo empolgado
No campo, bola minguada. “Que feio!”
Os cabras do Coxa cantando forte
o refrão: “Tô sem freio! Tô sem freio!”
Teve porco iludido que viajou pensando:
“Ganhamos! Já era! Um abraço!”
Viu seu time se arrastando em campo.
Sofrer muito, verdadeiro arregaço!
Voltou o porco de chifre quebrado,
machucado, mancando e sem o cabaço!
No caminhão do frigorífico apertado
O porco sofria muito até ficar maluco.
Os espíritos de porco gritando muito:
“Seis! Seis! Seis” E, pior, não era truco.
O porco desesperado pensava em morrer
enfiando na boca o cano de um trabuco.
Desceu no chiqueiro o porco estropiado
Pensando em esquecer futebol de vez.
Não podia suportar e nem sequer pensar
Na merda de jogo que seu timinho fez.
A vizinhança impiedosa logo percebeu:
E então gritava sem dó: “Seis! Seis! Seis!”
O porco não conseguia pegar no sono
pensando no seu time que estava acabado.
Com a derrota de seis a zero pro Coxa
o porco da Copa Brasil estava eliminado.
Pelo resto do ano sobrava torcer apenas
Pra no Brasileirão o porco não ser rebaixado.
E dessa vez não houve polêmica
Não teve o porco como culpar o juiz
Nem chorar pênalti que não houve
Ou meter onde não deve seu nariz
O porco teve é de sentar e rodar
Dizendo: “Essa merda fui eu é que fiz...”
Este marco deve ser sempre lembrado.
Um feito para entrar para a história.
Como um time aparentemente menor,
impôs ao porco tão grande vitória?
Seja lá como for, será sempre gozação
ficará o tropeço sempre na nossa memória.
Quando o porco vier cheio de história
contando vantagem, cheio de papo.
Bastará dizer: “Boca e rabo de porco
só com seis paus eu bem que tapo!
Um soco na cara, dois chutes na bunda,
uma rasteira e ainda um baita sopapo!”
Acompanhe agora comigo esta conta:
É meia-dúzia, ou seis? “Tanto faz!
Quando o assunto é futebol
Meia-dúzia é meio que demais.
Mas o Coxa até teve dó do porco
bem podia ter enfiado uns seis mais.”
Mas me diga agora, sem pestanejar:
“Uma canoa, com quantos paus se faz?
E se for pra assar uns porcos safados?
De quantos paus é que preciso mais?”
“Mete bem logo uns seis pelo rabo, e
deixa eles torrarem no fogo de Satanás!”
