quinta-feira, 12 de maio de 2011

Meia-dúzia é meio que demais

Tião Gavião (Favela, é nóis!)

Desde antigamente o povo diz que

seis, seis, seis! é o número da besta.

Mas dependerá de quem joga

Pareceu basquete, bola na cesta

Hoje tem muito porco doído

de cabeça inchada nesta sexta.



Pelo nome da porcada no chiqueiro

o trouxa se alegra, quer um trago

“Veja, só tem cabra bom de bola!

São Marcos, o Gladiador e El mago!”

Mas na noite da quinta fatídica

foi bem o Coxa quem fez o estrago.



Vira três, acaba seis, é o trato.

Assim o porco paulista tomou vareio.

Foi pra Curitiba todo empolgado

No campo, bola minguada. “Que feio!”

Os cabras do Coxa cantando forte

o refrão: “Tô sem freio! Tô sem freio!”



Teve porco iludido que viajou pensando:

“Ganhamos! Já era! Um abraço!”

Viu seu time se arrastando em campo.

Sofrer muito, verdadeiro arregaço!

Voltou o porco de chifre quebrado,

machucado, mancando e sem o cabaço!



No caminhão do frigorífico apertado

O porco sofria muito até ficar maluco.

Os espíritos de porco gritando muito:

“Seis! Seis! Seis” E, pior, não era truco.

O porco desesperado pensava em morrer

enfiando na boca o cano de um trabuco.



Desceu no chiqueiro o porco estropiado

Pensando em esquecer futebol de vez.

Não podia suportar e nem sequer pensar

Na merda de jogo que seu timinho fez.

A vizinhança impiedosa logo percebeu:

E então gritava sem dó:  “Seis! Seis! Seis!”



O porco não conseguia pegar no sono

pensando no seu time que estava acabado.

Com a derrota de seis a zero pro Coxa

o porco da Copa Brasil estava eliminado.

Pelo resto do ano sobrava torcer apenas

Pra no Brasileirão o porco não ser rebaixado.



E dessa vez não houve polêmica

Não teve o porco como culpar o juiz

Nem chorar pênalti que não houve

Ou meter onde não deve seu nariz

O porco teve é de sentar e rodar

Dizendo: “Essa merda fui eu é que fiz...”



Este marco deve ser sempre lembrado.

Um feito para entrar para a história.

Como um time aparentemente menor,

impôs ao porco tão grande vitória?

Seja lá como for, será sempre gozação

ficará o tropeço sempre na nossa memória.


Quando o porco vier cheio de história

contando vantagem, cheio de papo.

Bastará dizer: “Boca e rabo de porco

só com seis paus eu bem que tapo!

Um soco na cara, dois chutes na bunda,

uma rasteira e ainda um baita sopapo!”



Acompanhe agora comigo esta conta:

É meia-dúzia, ou seis? “Tanto faz!

Quando o assunto é futebol

Meia-dúzia é meio que demais.

Mas o Coxa até teve dó do porco

bem podia ter enfiado uns seis mais.”



Mas me diga agora, sem pestanejar:

“Uma canoa, com quantos paus se faz?

E se for pra assar uns porcos safados?

De quantos paus é que preciso mais?”

“Mete bem logo uns seis pelo rabo, e
deixa eles torrarem no fogo de Satanás!”

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